Dengue assusta três cidades
10/04/2013
"Dengue assusta três cidades
Autor(es): » Rodrigo Antonelli
Correio Braziliense - 10/04/2013
Dos 1.118 infectados pela doença no primeiro trimestre deste ano, 32,9% moram em Samambaia, Ceilândia e Taguatinga. Nessas localidades, há muito lixo e entulho espalhados na rua e possíveis focos de contaminação
O número de casos de dengue aumentou no Distrito Federal e a atenção deve ser redobrada principalmente pelos moradores de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga. Juntas, as três cidades acumulam 32,9% de todos os casos confirmados no primeiro trimestre deste ano. Dos 1.118 infectados no período analisado, 368 foram diagnosticados com a doença naquelas regiões administrativas. A equipe do Correio esteve nos locais, flagrou diversos pontos de perigo de contaminação e o descuido dos moradores de algumas das áreas com maior incidência.
É o caso da região conhecida como Chaparral, em Taguatinga, onde há muito entulho nas ruas e possíveis focos da doença. “Não adianta nada eu fazer minha parte, manter a minha casa limpa, se os vizinhos e o governo não ajudam. Olha essa sujeira acumulada aqui na frente. Tem até pneu com água parada dentro. E eu não tenho condições de pagar um caminhão para tirar. Fico com medo por causa das crianças”, reclama a manicure Neide Castro, 43 anos, com a sobrinha Nicole, de 1 ano, no colo. Ela é moradora da QNL 26.
Taguatinga é a terceira cidade do DF com maior número de casos. Segundo levantamento mais recente da Secretaria de Saúde, em três meses do ano, a região contabilizou 76 pacientes infectados com a dengue. O número é 245% maior que o registrado no mesmo período de 2012, quando 22 casos foram diagnosticados. A quantidade deixa em alerta as autoridades. “A região do Chaparral é onde há maior incidência e estamos focando nela”, afirma Daniel Rogério Oliveira, supervisor de ações do Núcleo de Vigilância Ambiental de Taguatinga. “Desde a semana passada, estamos visitando as casas, distribuindo panfletos educativos e pedindo que a população coloque todo o entulho que tiver no terreno em frente às casas. Nos dias 12, 13 e 14, então, passaremos recolhendo esse material”, detalha.
Os números assustam ainda mais em Ceilândia, onde a variação supera 1.800% (veja quadro). Nos primeiros três meses de 2012, foram registrados 10 casos na cidade. No mesmo período de 2013, 196 diagnósticos acabaram confirmados. Uma das regiões com mais focos de transmissão é o Condomínio Sol Nascente. Não é difícil encontrar pessoas na rua que já sofreram ou ainda estão infectados com a doença. A estudante Mayara Cosmiro dos Anjos, 15 anos, é uma delas. “Passei o fim de semana inteiro sentindo muita dor no corpo, vomitando e com febre. Ontem (segunda-feira), fui ao hospital e descobri que era dengue. Por sorte, é a mais leve e, nos próximos dias, já devo ficar melhor”, explica.
“Só nesta rua aqui, três pessoas já tiveram dengue. O pessoal é muito descuidado e têm muitos focos mesmo”, alerta Sandra Carmen da Silva, 44 anos. Em frente à casa dela, há um matagal onde as pessoas depositam lixo, o que aumenta a chance de o mosquito Aedes aegypti encontrar um local para se proliferar. “Toda semana, eu mesma tenho que entrar ali e limpar. Às vezes, até queimo os pneus, para não deixar acumular água parada”, conta a dona de casa, moradora da Avenida Central do Setor Habitacional Sol Nascente.
Em Samambaia, a quantidade de casos também aumentou: foram sete casos em 2012, contra 96 este ano. As áreas de maior risco, segundo a Administração Regional da Cidade, são o Setor de Expansão e alguns pontos entre as quadras 213 e 511.
A subsecretária de Vigilância à Saúde da Secretaria de Saúde do DF, Marília Cunha, lembra que para diminuir os focos da doença é necessário que a população trabalhe em conjunto com o governo. “Nós estamos com ações semanais em todas essas regiões, mas é impossível manter tudo sob controle. Os moradores têm que ajudar e manter o ambiente limpo”, alerta.
Para ela, o grande aumento de casos em relação ao mesmo período do ano passado assusta, mas não deve ser motivo de pânico. “Nossos números ainda são bons se comparados aos de outras unidades da Federação. Não vivemos uma epidemia. Além disso, o total de registros aumentou muito porque nosso método de detecção da doença melhorou”, justifica. Nas 13 primeiras semanas do ano, houve um crescimento de 317% nos casos da doença no Distrito Federal.
Novo exame
Até o fim de fevereiro, o resultado do exame de detecção da dengue podia demorar até sete dias para sair. Nesse tempo, as pessoas se curavam da doença e não voltavam ao hospital para confirmar o diagnóstico. Então, ficavam fora das estatísticas. Agora, o exame conta com tecnologia de ponta e a conclusão do teste sai em até 20 minutos.
Escalada da doença*
Cidade 2012 2013 Variação
Todo o DF 268 1.118 317,2%
Ceilândia 10 196 1.860%
Samambaia 7 96 1.271%
Taguatinga 22 76 245,45%
(*) O período analisado é o primeiro trimestre deste ano em comparação com os primeiros três meses de 2012"
Fonte: Correio Braziliense
Imagem: Diariodosertao.com